sábado, 17 de abril de 2010

O que é Literatura?: Introdução aos Estudos Literários



Literatura (li.te.ra.tu.ra) sf (lat litteratura) segundo o Michaelis - Dicionário da Língua Portuguesa - "é a arte de compor escritos, em prosa ou em verso, de acordo com princípios teóricos ou práticos. O exercício dessa arte ou da eloqüência e poesia. O conjunto das obras literárias de um agregado social, ou em dada linguagem, ou referidas a determinado assunto: Literatura infantil, literatura científica, literatura de propaganda ou publicitária. A história das obras literárias do espírito humano. O conjunto dos homens distintos nas letras".


Literatura é a arte da palavra. É a técnica de usar as palavras com criatividade e originalidade: assim como o pintor usa tintas para fazer um quadro e levar sua mensagem, assim como o músico utiliza a combinação harmoniosa dos sons para comunicar-se com seu público, também o literato usa as palavras para expressar suas idéias e emoções.

Na literatura, as palavras podem não ter o mesmo valor das palavras que utilizamos na vida diária. Em nosso cotidiano, as palavras têm um valor utilitário, ao passo que, se usadas no texto literário, adquirem valor artístico, podendo criar um mundo poético ou ficcional, por meio da maneira como são usadas.

O artista da palavra pode nos retratar uma realidade objetiva ou, simplesmente, criar um mundo subjetivo, interpretando a realidade a seu modo. A realidade literária (a criação literária) pode estar em desacordo com a realidade sensível, objetiva.

A literatura se reveste de grande importância porque é a expressão do ser humano e da vida, e porque retrata épocas, costumes e idéias.

Segundo Soares Amora, na literatura, “o interessante não é apenas quem se exprime e o que se exprime, mas como se exprime".


INTRODUÇÃO AOS ESTUDOS LITERÁRIOS



1. História da Literatura


Na origem, a literatura de todos os povos foi oral. Apesar de originar-se etimologicamente da palavra letra (do latim, littera, letra), a Literatura surgiu nos primórdios da humanidade, quando o homem ainda desconhecia a escrita e vivia em tribos nômades, à mercê das forças naturais que ele tentava entender através dos primeiros cultos religiosos.


Lendas e canções eram transmitidas de forma oral através das gerações. Com o advento da escrita, as paredes das cavernas começaram a receber pinturas e desenhos simbólicos que passaram a registrar a tradição oral. Mais tarde surgiriam novas formas para armazenar essas informações, como as tabuletas, óstracos, papiros e pergaminhos. Dessa maneira, as primeiras obras literárias conhecidas são registros escritos de composições oriundas de remota tradição oral.


A maior parte da literatura ocidental antiga se perdeu. Cada uma das cinco civilizações mais antigas que se conhecem - Babilônia e Assíria, Egito, Grécia, Roma e a cultura dos israelitas na Palestina - entrou em contato com uma ou mais dentre as outras. Nas duas mais antigas, a assírio-babilônica, com suas tábulas de argila quebradas, e a egípcia, com seus rolos de papiro, não se encontra relação direta com a idade moderna.


Na Babilônia, porém, se produziu o primeiro código completo de leis e dois épicos de mitos arquetípicos – o Gilgamesh e o Enuma Elish que vieram a ecoar e ter desdobramentos em terras bem distantes. O Egito, que detinha a intuição mística de um mundo sobrenatural, atiçou a imaginação dos gregos e romanos. Da cultura hebraica, a principal herança literária para o Ocidente veio de seus primeiros manuscritos, como o Antigo Testamento da Bíblia.


Essa literatura veio a influenciar profundamente a consciência ocidental por meio de traduções para as línguas vernáculas e para o latim. Até então, a ensimesmada espiritualidade do judaísmo mantivera-a afastada dos gregos e romanos.


Embora influenciada pelos mitos religiosos da Mesopotâmia, da Anatólia e do Egito, a literatura grega não tem antecedentes diretos e aparentemente se originou em si mesma. Nos gregos, os escritores romanos buscaram inspiração para seus temas, tratamento e escolha de verso e métrica.


A chamada literatura clássica, que engloba toda a produção greco-romana entre os séculos V a.C. e V d.C., vai influenciar toda a literatura do Ocidente. Preservadas, transformadas, absorvidas pela tradição latina e difundidas pelo cristianismo, as obras da Grécia antiga e de Roma foram transmitidas para as línguas vernáculas da Europa e das regiões colonizadas pelos europeus. Todos os gêneros importantes de literatura - épica, lírica, tragédia, comédia, sátira, história, biografia e prosa narrativa – foram criados pelos gregos e romanos, e as evoluções posteriores são, na maioria, extensões secundárias.



2. Escolas Literárias



No estudo da literatura, costuma-se dividir a História da Literatura em grandes movimentos denominados de eras que por sua vez, subdividem-se em movimentos mais particulares denominados de estilos de época ou escolas literárias. As escolas literárias correspondem às fases (períodos) histórico-culturais em que determinados valores estéticos e ideológicos resultam na criação de obras mais ou menos próximas no estilo e na visão de mundo. Paralelo temos também, o estilo individual que é a maneira pessoal do escritor pela qual o escritor usa para imprimir sua individualidade em sua produção literária, individualizando a obra dentro de um estilo de época.


Assim, qualquer período literário (ou artístico) pressupõe:


· momento histórico delimitado (normalmente algumas décadas), onde se dá a adesão de vários escritores às normas e princípios comuns;


· conjunto similar de influências sociais, culturais e ideológicas agindo sobre as mentalidades;


· elaboração estética semelhante, seja nas técnicas de construção literária, no estilo, na temática e nos pontos de vista sobre o ser humano e a vida;


A ascensão, predominância e decadência de uma escola ou de um movimento não ocorrem arbitrariamente, apenas pela vontade dos artistas, mas resultam de um processo complexo de influências do espírito de cada época sobre os indivíduos. Em certas circunstâncias históricas - crises políticas, mudanças violentas ou condições opressivas - a criação de uma arte nova, de um estilo novo e de uma nova maneira de registrar as coisas torna-se urgente para os escritores e os artistas em geral. Entretanto, a vitória de uma nova corrente não apaga de todo o prestígio e a força da antiga. Podemos assistir à coexistência de movimentos opostos numa mesma faixa temporal. Logo as datas de início e fim de um período não implicam o predomínio automático de um período sobre outro, mas a tentativa de ordenação e simplificação pedagógica dos fenômenos literários.


Como as primeiras manifestações literárias brasileiras datam do século XVI, vamos iniciar nossa abordagem pela Era Medieval da literatura portuguesa, que compreende o Trovadorismo e o Humanismo, que refletem o período em que Portugal se consolidava como Estado-Nação e a língua portuguesa adquiria independência do galego. Depois, vamos iniciar a abordagem do Quinhentismo brasileiro ao mesmo tempo em que Portugal inicia o Renascimento.



3. Quadro Sinótico dos Períodos Literários – Portugal e Brasil




PORTUGAL

Período

Época

Trovadorismo

1189 1434

Humanismo

1434 – 1527

Classicismo

1527 – 1580

Barroco

1580 – 1756

Arcadismo

1756 – 1825

Romantismo

1825 – 1865

Realismo/Naturalismo/Parnasianismo

1865 – 1890

Simbolismo

1890 – 1915

Modernismo

1915 aos dias de hoje



BRASIL

Período

Época

Literatura Informativa

Literatura Jesuítica

1500 - 1600

Barroco

1600 – 1768

Arcadismo

1768 – 1836

Romantismo

1836 – 1881

Realismo/Naturalismo/Parnasianismo

1881 – 1893

Simbolismo

1893 – 1922

Modernismo

1922 – 1945

Pós-Modernista

1945 aos dias de hoje

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